O câncer urológico também faz parte desse cenário. Síndromes genéticas herdadas do pai, da mãe ou de ambos, podem aumentar o risco para esse tipo de câncer.

Em relação às doenças oncológicas em geral, de 5% a 10% dos tumores podem ter origem em uma síndrome hereditária. Isso quer dizer que a pessoa tem mutações genéticas herdadas, que predispõem ao desenvolvimento de cânceres.
O câncer urológico também faz parte desse cenário. Síndromes genéticas herdadas do pai, da mãe ou de ambos, podem aumentar o risco para esse tipo de câncer.
Câncer de rim
Entre os alertas de uma possível síndrome hereditária de câncer de rim estão histórico familiar de câncer renal, tumores bilaterais ou multifocais e idade jovem (menos de 46 anos). Algumas síndromes hereditárias causadoras desse tipo de câncer são:
Doença de Von-Hippel Lindau (VHL): rara, causada por alterações no gene VHL, que tem função de impedir que as células cresçam e se dividam muito rapidamente. Ao sofrer mutação, O VHL perde sua função protetora e o crescimento desordenado de células aumenta o risco de câncer de rim e também de cistos no órgão.
Síndrome de Birt-Hogg Dubbe (BHD): associada à mutação no gene FLCN, que também tem a função de impedir que as células cresçam e se dividam muito rapidamente. Quando esse gene sofre mutação, o risco de câncer nos rins aumenta.
Carcinoma Renal Papilífero Hereditário: associado ao gene MET, envolvido no crescimento celular, que ao sofrer mutação, pode aumentar o risco de câncer renal papilar. Esse tipo de câncer costuma ter crescimento lento e se forma nos túbulos renais.
Leiomiomatose Hereditária e Câncer de Células Renais (HLRCC): causada por uma mutação no gene FH, que produz a proteína fumarato hidratase. Essa proteína ajuda as células a usarem oxigênio e produzirem energia.
Além dessas, outras síndromes, como, Li-Fraumeni, Perlman, Beckwith-Wiedemann e Fraser podem ser responsáveis por surgimento de câncer de rim.
Câncer de bexiga
Apesar do câncer de bexiga ser influenciado, principalmente, por fatores ambientais, como o tabagismo, o componente genético também pode estar relacionado a esse tipo de câncer. Variações em certos genes podem aumentar a susceptibilidade ao desenvolvimento da doença.
O câncer de bexiga está associado, principalmente, à Síndrome de Lynch, uma variação genética que pode se manifestar a partir de mutações nos genes MSH2 ou MLH1. Além de tumores uroteliais, inclusive o de bexiga, a Síndrome de Lynch também pode causar tumores na uretra e na pelve renal.
Câncer de próstata
O câncer de próstata é um dos tipos de câncer mais comuns em homens. De acordo com estudos, homens com parentes de primeiro grau que tiveram câncer de próstata têm um risco maior de desenvolver a doença. Ademais, a pesquisa genética mostrou que há determinados genes que podem aumentar o risco para esse tipo de câncer.
Cerca de 12% dos homens com câncer de próstata metastático e 6% dos que apresentam doença localizada e de alto risco, têm predisposição genética identificada. Os genes mais frequentemente envolvidos são o BRCA 1 e BRCA 2. O BRCA 1 aumenta o risco em três vezes e o BRCA 2 pode elevar o risco em até oito vezes comparado a homens que não têm essas mutações.
Outras variações genéticas, como a Síndrome de Lynch e mutações nos genes ATM, CHEK2 e PALB2, também podem ter associação com o câncer de próstata, apesar de serem menos frequentes.
Câncer de testículo
Tipo de câncer raro, representa cerca de 5% dos casos de câncer em homens. Pode acometer homens de qualquer idade, no entanto, é mais frequente em homens jovens, entre 15 e 35 anos.
Variantes genéticas, como a síndrome de Klinefelter, estão associadas a um risco aumentado de câncer de testículo. Essa síndrome consiste em um distúrbio cromossômico sexual, caracterizado por baixos níveis de hormônios masculinos, esterilidade, aumento dos seios e testículos pequenos.